terça-feira, 14 de setembro de 2010

O Senhor Deus ainda fala a Jó...

Jó 40 e 41
1Disse mais o Senhor a Jó:



2 Contenderá contra o Todo-Poderoso o censurador? Quem assim argüi a Deus, responda a estas coisas.



3 Então Jó respondeu ao Senhor, e disse:



4 Eis que sou vil; que te responderia eu? Antes ponho a minha mão sobre a boca.



5 Uma vez tenho falado, e não replicarei; ou ainda duas vezes, porém não prosseguirei.



6 Então, do meio do redemoinho, o Senhor respondeu a Jó:



7 Cinge agora os teus lombos como homem; eu te perguntarei a ti, e tu me responderás.



8 Farás tu vão também o meu juízo, ou me condenarás para te justificares a ti?



9 Ou tens braço como Deus; ou podes trovejar com uma voz como a dele?



10 Orna-te, pois, de excelência e dignidade, e veste-te de glória e de esplendor.



11 Derrama as inundações da tua ira, e atenta para todo soberbo, e abate-o.



12 Olha para todo soberbo, e humilha-o, e calca aos pés os ímpios onde estão.



13 Esconde-os juntamente no pó; ata-lhes os rostos no lugar escondido.



14 Então também eu de ti confessarei que a tua mão direita te poderá salvar.



15 Contempla agora o hipopótamo, que eu criei como a ti, que come a erva como o boi.



16 Eis que a sua força está nos seus lombos, e o seu poder nos músculos do seu ventre.



17 Ele enrija a sua cauda como o cedro; os nervos das suas coxas são entretecidos.



18 Os seus ossos são como tubos de bronze, as suas costelas como barras de ferro.



19 Ele é obra prima dos caminhos de Deus; aquele que o fez o proveu da sua espada.



20 Em verdade os montes lhe produzem pasto, onde todos os animais do campo folgam.



21 Deita-se debaixo dos lotos, no esconderijo dos canaviais e no pântano.



22 Os lotos cobrem-no com sua sombra; os salgueiros do ribeiro o cercam.



23 Eis que se um rio trasborda, ele não treme; sente-se seguro ainda que o Jordão se levante até a sua boca.



24 Poderá alguém apanhá-lo quando ele estiver de vigia, ou com laços lhe furar o nariz?



Capítulo 41
1Poderás tirar com anzol o leviatã, ou apertar-lhe a língua com uma corda?



2 Poderás meter-lhe uma corda de junco no nariz, ou com um gancho furar a sua queixada?



3 Porventura te fará muitas súplicas, ou brandamente te falará?



4 Fará ele aliança contigo, ou o tomarás tu por servo para sempre?



5 Brincarás com ele, como se fora um pássaro, ou o prenderás para tuas meninas?



6 Farão os sócios de pesca tráfico dele, ou o dividirão entre os negociantes?



7 Poderás encher-lhe a pele de arpões, ou a cabeça de fisgas?



8 Põe a tua mão sobre ele; lembra-te da peleja; nunca mais o farás!



9 Eis que é vã a esperança de apanhá-lo; pois não será um homem derrubado só ao vê-lo?



10 Ninguém há tão ousado, que se atreva a despertá-lo; quem, pois, é aquele que pode erguer-se diante de mim?



11 Quem primeiro me deu a mim, para que eu haja de retribuir-lhe? Pois tudo quanto existe debaixo de todo céu é meu.



12 Não me calarei a respeito dos seus membros, nem da sua grande força, nem da graça da sua estrutura.



13 Quem lhe pode tirar o vestido exterior? Quem lhe penetrará a couraça dupla?



14 Quem jamais abriu as portas do seu rosto? Pois em roda dos seus dentes está o terror.



15 As suas fortes escamas são o seu orgulho, cada uma fechada como por um selo apertado.



16 Uma à outra se chega tão perto, que nem o ar passa por entre elas.



17 Umas às outras se ligam; tanto aderem entre si, que não se podem separar.



18 Os seus espirros fazem resplandecer a luz, e os seus olhos são como as pestanas da alva.



19 Da sua boca saem tochas; faíscas de fogo saltam dela.



20 Dos seus narizes procede fumaça, como de uma panela que ferve, e de juncos que ardem.



21 O seu hálito faz incender os carvões, e da sua boca sai uma chama.



22 No seu pescoço reside a força; e diante dele anda saltando o terror.



23 Os tecidos da sua carne estão pegados entre si; ela é firme sobre ele, não se pode mover.



24 O seu coração é firme como uma pedra; sim, firme como a pedra inferior duma mó.



25 Quando ele se levanta, os valentes são atemorizados, e por causa da consternação ficam fora de si.



26 Se alguém o atacar com a espada, essa não poderá penetrar; nem tampouco a lança, nem o dardo, nem o arpão.



27 Ele considera o ferro como palha, e o bronze como pau podre.



28 A seta não o poderá fazer fugir; para ele as pedras das fundas se tornam em restolho.



29 Os bastões são reputados como juncos, e ele se ri do brandir da lança.



30 Debaixo do seu ventre há pontas agudas; ele se estende como um trilho sobre o lodo.



31 As profundezas faz ferver, como uma panela; torna o mar como uma vasilha de ungüento.



32 Após si deixa uma vereda luminosa; parece o abismo tornado em brancura de cãs.



33 Na terra não há coisa que se lhe possa comparar; pois foi feito para estar sem pavor.



34 Ele vê tudo o que é alto; é rei sobre todos os filhos da soberba.

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