sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Jó justifica as suas queixas...

Jó 6:1 a 30 e 7:1 a 21
Jó justifica as suas queixas
1  ENTÃO Jó respondeu, dizendo:
2  Oh! se a minha mágoa retamente se pesasse, e a minha miséria juntamente se pusesse numa balança!
3  Porque, na verdade, mais pesada seria, do que a areia dos mares; por isso é que as minhas palavras têm sido engolidas.
4  Porque as flechas do Todo-Poderoso estão em mim, cujo ardente veneno suga o meu espírito; os terrores de Deus se armam contra mim.
5  Porventura zurrará o jumento montês junto à relva? Ou mugirá o boi junto ao seu pasto?
6  Ou comer-se-á sem sal o que é insípido? Ou haverá gosto na clara do ovo?
7  A minha alma recusa tocá-las, pois são para mim como comida repugnante.
8  Quem dera que se cumprisse o meu desejo, e que Deus me desse o que espero!
9  E que Deus quisesse quebrantar-me, e soltasse a sua mão, e me acabasse!
10  Isto ainda seria a minha consolação, e me refrigeraria no meu tormento, não me poupando ele; porque não ocultei as palavras do Santo.
11  Qual é a minha força, para que eu espere? Ou qual é o meu fim, para que tenha ainda paciência?
12  É porventura a minha força a força da pedra? Ou é de cobre a minha carne?
13  Está em mim a minha ajuda? Ou desamparou-me a verdadeira sabedoria?
14  Ao que está aflito devia o amigo mostrar compaixão, ainda ao que deixasse o temor do Todo-Poderoso.
15  Meus irmãos aleivosamente me trataram, como um ribeiro, como a torrente dos ribeiros que passam,
16  Que estão encobertos com a geada, e neles se esconde a neve,
17  No tempo em que se derretem com o calor, se desfazem, e em se aquentando, desaparecem do seu lugar.
18  Desviam-se as veredas dos seus caminhos; sobem ao vácuo, e perecem.
19  Os caminhantes de Tema os vêem; os passageiros de Sabá esperam por eles.
20  Ficam envergonhados, por terem confiado e, chegando ali, se confundem.
21  Agora sois semelhantes a eles; vistes o terror, e temestes.
22  Acaso disse eu: Dai-me ou oferecei-me presentes de vossos bens?
23  Ou livrai-me das mãos do opressor? Ou redimi-me das mãos dos tiranos?
24  Ensinai-me, e eu me calarei; e fazei-me entender em que errei.
25  Oh! quão fortes são as palavras da boa razão! Mas que é o que censura a vossa argüição?
26  Porventura buscareis palavras para me repreenderdes, visto que as razões do desesperado são como vento?
27  Mas antes lançais sortes sobre o órfão; e cavais uma cova para o amigo.
28  Agora, pois, se sois servidos, olhai para mim; e vede se minto em vossa presença.
29  Voltai, pois, não haja iniqüidade; tornai-vos, digo, que ainda a minha justiça aparecerá nisso.
30  Há porventura iniqüidade na minha língua? Ou não poderia o meu paladar distinguir coisas iníquas?

CAPÍTULO 7
1  PORVENTURA não tem o homem guerra sobre a terra? E não são os seus dias como os dias do jornaleiro?
2  Como o servo que suspira pela sombra, e como o jornaleiro que espera pela sua paga,
3  Assim me deram por herança meses de vaidade; e noites de trabalho me prepararam.
4  Deitando-me a dormir, então digo: Quando me levantarei? Mas comprida é a noite, e farto-me de me revolver na cama até à alva.
5  A minha carne se tem vestido de vermes e de torrões de pó; a minha pele está gretada, e se fez abominável.
6  Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão, e acabam-se, sem esperança.
7  Lembra-te de que a minha vida é como o vento; os meus olhos não tornarão a ver o bem.
8  Os olhos dos que agora me vêem não me verão mais; os teus olhos estarão sobre mim, porém não serei mais.
9  Assim como a nuvem se desfaz e passa, assim aquele que desce à sepultura nunca tornará a subir.
10  Nunca mais tornará à sua casa, nem o seu lugar jamais o conhecerá.
11  Por isso não reprimirei a minha boca; falarei na angústia do meu espírito; queixar-me-ei na amargura da minha alma.
12  Sou eu porventura o mar, ou a baleia, para que me ponhas uma guarda?
13  Dizendo eu: Consolar-me-á a minha cama; meu leito aliviará a minha ânsia;
14  Então me espantas com sonhos, e com visões me assombras;
15  Assim a minha alma escolheria antes a estrangulação; e antes a morte do que a vida.
16  A minha vida abomino, pois não viveria para sempre; retira-te de mim; pois vaidade são os meus dias.
17  Que é o homem, para que tanto o engrandeças, e ponhas nele o teu coração,
18  E cada manhã o visites, e cada momento o proves?
19  Até quando não apartarás de mim, nem me largarás, até que engula a minha saliva?
20  Se pequei, que te farei, ó Guarda dos homens? Por que fizeste de mim um alvo para ti, para que a mim mesmo me seja pesado?
21  E por que não perdoas a minha transgressão, e não tiras a minha iniqüidade? Porque agora me deitarei no pó, e de madrugada me buscarás, e não existirei mais.
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